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segunda-feira, 31 de março de 2014

Ato pede punição a militares e criação de memorial na sede do DOI-Codi

Prédio hoje abriga o 36º DP, na região do Paraíso, em São Paulo.
Ato contou com presença de pessoas que foram torturadas no local.

Márcio PinhoDo G1 São Paulo
Manifestantes participam do ato público 'Ditadura Nunca Mais: 50 anos do golpe militar' na antiga sede do DOI-Codi, que agora abriga a 36ª Delegacia de Polícia (Vila Mariana), na Zona Sul de São Paulo (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo)Manifestantes participam de ato na antiga sede do DOI-Codi (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo)
Um ato realizado na manhã desta segunda-feira (31) em São Paulo lembrou os 50 anos do golpe militar e pediu punição aos militares responsáveis por torturas e assassinatos.
O evento foi realizado no local onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do 2º Exército, no bairro do Paraíso. Outro pedido dos manifestantes foi a transformação desse edifício, onde hoje funciona o 36º DP, em um memorial em homenagem às vítimas. O local já é tombado e considerado patrimônio histórico.
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Parentes de vítimas e organizações realizam ato 'Ditadura Nunca Mais' no dia que marca os 50 anos do golpe que instituiu a ditadura militar no Brasil, na antiga sede do DOI-Codi em São Paulo (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo)Parentes de vítimas e organizações realizaram ato 'Ditadura Nunca Mais' no dia que marca os 50 anos do golpe  (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo)
(ESPECIAL "50 ANOS DO GOLPE MILITAR": a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, desencadeou uma série de fatos que culminaram em um golpe de estado em 31 de março de 1964. O sucessor, João Goulart, foi deposto pelos militares com apoio de setores da sociedade, que temiam que ele desse um golpe de esquerda, coisa que seus partidários negam até hoje. O ambiente político se radicalizou, porque Jango prometia fazer as chamadas reformas de base na "lei ou na marra", com ajuda de sindicatos e de membros das Forças Armadas. Os militares prometiam entregar logo o poder aos civis, mas o país viveu uma ditadura que durou 21 anos, terminando em 1985. Saiba mais.)
O ato foi convocado pela internet e reuniu cerca de 140 entidades. Grupos de teatro fizeram apresentações alusivas ao golpe militar. Foi exibida ainda uma gravação do então deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura.
Maria Amélia de Almeida Teles, torturada no DOI-Codi (Foto: Márcio Pinho/G1)Maria Amélia de Almeida Teles, torturada no
DOI-Codi (Foto: Márcio Pinho/G1)
Os presentes leram em voz alta um manifesto em que chamaram o 31 de março de "Dia da Vergonha Nacional". O texto continha o nome das mais de 50 pessoas que morreram no prédio, entre eles o jornalista Vladimir Herzog. Em 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o atestado de óbito de Herzog fosse revisado para incluir que ele morreu em razão de maus-tratos.
Pessoas que foram torturadas no local estiveram presentes. Maria Amélia de Almeida Teles, de 69 anos, foi torturada com sua família no local. Ela era membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Maria Amélia afirmou que o estado brasileiro ainda tem as "mãos sujas de sangue" por não promover medidas para punir os militares que participaram de torturas e assassinatos e esclarecer as mortes. "Isso impede o avanço da democracia", disse.
Anivaldo Padilha, que foi torturado e participou do evento com imagem de um amigo desaparecido no período da ditadura (Foto: Márcio Pinho/G1)Anivaldo Padilha, que foi torturado e participou do
evento com imagem de um amigo desaparecido
no período da ditadura (Foto: Márcio Pinho/G1)
Já Anivaldo Padilha, de 73 anos, emocionou-se ao chegar na antiga sede do DOI-Codi, onde foi torturado por mais de um mês em 1970. Ele era estudante e membro da Ação Popular. Após a prisão, ficou 13 anos exilado e morando em diferentes países. Nesse período, tinha pesadelos quase todas as noites. Foi quando conseguiu perdoar seus torturadores. "Eu percebi que o perdão às vezes é mais importante para quem perdoa do que para quem é perdoado", disse. Ainda assim, pede punição aos militares da época pelos crimes "contra a humanidade".
Ele também pede a criação de um memorial na sede do DOI-Codi. "Vamos estabelecer aqui um marco de memória para que nunca se esqueça o que aconteceu no Brasil", disse.

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