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quinta-feira, 26 de março de 2015

Aprovação de PEC que extingue coligações eleitorais em eleições proporcionais divide vereadores de CG


Aprovação de PEC que extingue coligações eleitorais em eleições proporcionais divide vereadores de CG
 A aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição 40, que acaba com as coligações eleitorais em eleições proporcionais, permitindo que elas ocorram apenas para as majoritárias, tem divido os vereadores de Campina Grande. O vereador Miguel Rodrigues (PPS) disse em entrevista a Rádio Panorâmica FM, que a PEC não traz as vantagens esperadas, concorda que diminuirá a promiscuidade que existe na política, mas, ainda assim, a prioridade do projeto é beneficiar a quem já está no poder.

– A verdade é essa, é um projeto que vai beneficiar a elite e só vai dar mais sustentação àqueles que têm condições financeiras e que estão dentro do governo – declarou

Indagado se com a sanção do projeto irá se candidatar nas próximas eleições, alegou depender da vontade de Deus e reconhece que o trabalho exercido na Câmara de Vereadores o fortalece para dar continuidade às suas funções naquela casa.

– Estarei concorrendo porque eu estou cumprindo um compromisso que eu tenho com a sociedade, de trabalhar, de ouvir a população, de participar dos debates, de votar naquilo que não é bom pra sociedade, vou porque acredito no trabalho que estou fazendo. Se o critério para se manter nesta casa é trabalho, eu tenho chance – afirmou.

Líder da oposição na CMCG e cotado para ser candidato do PMDB a prefeito de Campina Grande em 2016, o vereador Olímpio Oliveira, também não vê com bons olhos a aprovação da PEC.

Em entrevista a imprensa campinense, Olimpio Oliveira se mostrou inconformado com a aprovação da emenda que irá acabar com as coligações partidárias nas eleições proporcionais.

Para o peemedebista, a reforma política favorece o Congresso Nacional, que passa a usar de uma imagem a satisfazer o povo brasileiro, considerando isso uma mentira vendida no país.

– Passado o clima de efervescência nas ruas e para legislar interesse próprio, eles reformam novamente. Estão querendo dar uma resposta à sociedade agora e usando como boi de piranha os vereadores, essa é a grande realidade – afirmou.

Segundo Olimpio, a emenda irá fazer do cargo de vereador o mais atingido. O termo “boi de piranha” simboliza o boi mais frágil ao passar num rio de piranhas. Assim considera ele que será o cargo do Legislativo mirim.

O vereador Napoleão Maracajá (PCdoB) também não concorda com PEC 40, que faz referência à extinção de coligações partidárias em eleições proporcionais Para ele, a proposta é tímida e o que se quer com o projeto é beneficiar quem já está no poder. O prejuízo maior é para aquelas novas lideranças que chegam na política.

– Os pequenos seriam prejudicados sem dúvida nenhuma. O jogo passa a ser desigual para quem já tem um mandato – afirmou

Ainda que reconheça o lado positivo da emenda, que seria a coibição da venda de legendas, as negociações pré-eleições continuarão a existir.

– As coligações majoritárias a preço de hoje estão mantidas, vamos continuar tendo venda de partidos no processo eleitoral – citou. Diferente dos colegas vereadores, o vereador João Dantas (PSD), está defendendo a extinção das coligações proporcionais.

Em entrevista a rádio Panorâmica FM, João Dantas manifestou o seu posicionamento favorável a PEC, ainda que a mesma afete diretamente seu cargo nas próximas eleições.

Segundo João, o país vive um momento que mostra o lado negro envolvente na política e seus favorecimentos, referindo-se às vendas e aluguéis de partidos que ocorrem visando às eleições.Mesmo contrariando os colegas, ele lembrou que hoje existe um grande número de partidos, alguns deles, considerados de “alugueis”.

– Eu diria que vivemos um clima de “sodomia eleitoral”, porque há um número enorme de partidos, na sua maioria, partidos de aluguéis, partidos esses que obrigam o candidato ao invés de discutir os programas do governo com a sociedade, estarem entre quatro paredes subordinados, coibidos, vendendo legendas, vendendo tempo para o horário eleitoral, fazendo escambo, permutando, enfim, só acabará com a extinção do estatuto das coligações – alegou.

Aprovada no Senado em dois turnos, a PEC extingue a formação de coligações em nível proporcional, ou seja, para cargos como vereador, deputados federais, estaduais e distritais.


Severino Lopes 

PBAgora

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