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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Aécio diz que Dilma distribui poder 'como numa feira livre'


Laís AlegrettiDo G1, em Brasília
Aécio concede entrevista coletiva no Senado Federal (Foto: Laís Agretti/G1)Aécio concede entrevista coletiva no Senado Federal (Foto: Laís Agretti/G1)










O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), criticou na tarde desta terça-feira (29) a reforma ministral que está sendo discutida pelo governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele,a presidente distribui poder "como numa feira livre" e o resultado da reforma é uma "desqualificação ainda maior de um governo muito pouco qualificado".
A presidente tem discutido com aliado, nos últimos dias, a redução da quantidade de pastas em seu governo e a mudança de ministros. Para atender às reivindicações do vice-presidente Michel Temer e da bancada do PMDB na Câmara, a presidente Dilma Rousseff deve entregar ao seu principal aliado sete ministérios na reforma administrativa.
Entre as pastas que devem passar para o comando dos peemedebistas está o cobiçado Ministério da Saúde, dono do maior orçamento da Esplanada dos Ministérios.
Além da Saúde – que é chefiada pelo petista Arthur Chioro –, a presidente sinalizou que um deputado peemedebista iria chefiar o Ministério da Infraestrutura, pasta que seria criada com a fusão de Transportes, Portos e Aviação Civil.
“[A reforma] está tendo como resultado a desqualificação ainda maior de um governo muito pouco qualificado", afirmou Aécio. O senador afirmou, ainda, que a presidente está distribuindo "nacos" de poder "como numa feira livre".
"A forma como a presidente da República está distribuindo nacos de poder, como numa feira livre, distribuindo para quem der a melhor oferta áreas de tamanha relevância como o Ministério da Saúde sendo trocado por 20, 30 votos, o Ministério da Infraestrutura por outros 10 votos, é a negação de tudo o que o Brasil precisava estar vivendo. Essa era a oportunidade do retorno à meritocracia.
Aécio disse que a presidente é governada pela lógica do "toma lá dá cá". "Ela acha que governa, mas hoje é governada, pela pior das lógicas, do tomá lá dá cá. Essa reforma ministerial terá como resultado a entrega de áreas importantes do governo em troca de alguns votos no Congresso Nacional", disse.
Faixa estendida na Esplanada dos Ministérios ao lado do Congresso Nacional por servidores da CGU (Foto: Michele Mendes/G1)Faixa estendida ao lado do Congresso Nacional
por servidores da CGU (Foto: Michele Mendes/G1)
Órgão de controle
Durante a entrevista, o senador criticou a possibilidade de a Controladoria-Geral da União (CGU) perder o status de ministério. Segundo Aécio, se o órgão deixar de ser um ministério, fragilizará o trabalho da CGU.
Nesta terça, cerca de 600 analistas e técnicos da CGU fizeram uma marcha em Brasília para defender a manutenção do órgão na reforma ministerial. A assessoria da CGU disse que oficialmente não recebeu nenhum comunicado sobre o fim ou a transferência de atribuições do órgão para outros ministérios.
"Tirar o status ministerial da Controladoria é estimular a não apuração, não investigação de inúmeras denúncias [...], portanto, teria sido melhor se a presidente sequer fizesse a reforma", disse.
"No momento em que fica subordinada a órgãos de estado, a decisão para de ser técnica e sim política", afirmou Aécio.

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