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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Mídia nacional destaca que PB é o único Estado próximo do ideal para tratamento do câncer


Mídia nacional destaca que PB é o único Estado próximo do ideal para tratamento do câncer
 O Jornal Nacional, da Rede Globo, destacou o Estado da Paraíba, em sua edição de ontem, terça-feira (27) em uma reportagem sobre o panorama do tratamento do câncer no Brasil. Nosso estado foi destaque como o único do país que está perto do ideal de estrutura e equipamentos para o tratramento. Sendo o que oferta melhores condições para quimioterapia e que está mais próximo de cumprir o cronograma de aquisição de equipamentos e medicações recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).


Na matéria, o jornal traz a dificuldade de outros estados que não possui uma máquina de radio sequer, e a dificuldade enfrentada por pacientes que viajam para outras localizades a fim de conseguir atendimento ou ainda pagam para ter direito aos medicamentos que deveriam ser fornecidos pelo Governo.


Clique aqui para ver o vídeo


Leia a reportagem na íntegra:


Brasileiros com câncer sofrem com a falta de aparelhos de quimioterapia


Os brasileiros que precisam de tratamento contra o câncer pelo SUS encontram uma sucessão de obstáculos que pode comprometer qualquer esforço deles – e dos médicos. Na segunda reportagem da série especial que o Jornal Nacional apresenta nessa semana, a Graziela Azevedo e o Ronaldo de Sousa que muitos não conseguem nem fazer quimioterapia.


“O Brasil precisa conhecer o estado de guerra que se dá aqui nessa luta contra a morte, em favor da vida”, diz o padre Paulo Roberto Matias.


“Tinha cinco pacientes, os quatro morreram e eu fiquei. Entrou mais quatro, os quatro morreram e eu fiquei”, conta uma paciente.


“Osvaldo tinha uma família, três filhos – 7, 9, 12 anos”, lembra um homem.


O inimigo é poderoso. Nas estatísticas oficiais, o Brasil deve registrar cerca de 600 mil casos novos de câncer em 2016. Já é a segunda doença que mais mata no país e muitos brasileiros estão perdendo a batalha simplesmente porque não tem recursos, não tem proteção ou as armas necessárias para lutar contra ela.


Uma casa de apoio, com voluntários no atendimento. O padre de Macapá faz o que pode para ajudar os pacientes.


Consolar, arrumar dinheiro, tentar consulta pra quem não consegue. É o dia inteiro assim.


Osvaldo Lamarão Trindade. Operário da construção civil, 31 anos, casado, pai de três filhos. Era Osvaldo, o irmão que Reginaldo tentou ajudar.


“A gente vê o familiar sofrendo, sem poder fazer nada”, diz um homem.


Mas Reginaldo fez. Osvaldo estava com câncer no testículo e foi tratar no Hospital Geral de Macapá. O hospital é público, mas ele precisou se virar para arrumar dinheiro.


“Fizemos uma rifa, conseguimos o dinheiro, compramos a medicação, foi a partir daí que nós conseguimos marcar o dia pra fazer a quimioterapia. Só que foi tarde demais”, lembra Reginaldo Lamarão Trindade, irmão de Oswaldo.


Difícil de acreditar. Mas é a pura verdade.


O Jornal Nacional foi até a casa do Reginaldo pra mostrar o medicamento, a quimioterapia que ele comprou e o irmão nem chegou a usar. Está na nota fiscal: R$ 2.076, de 6 frascos de bliomicina.


Fica na geladeira. “Precisa guardar dentro do isopor com gelo, pra manter a temperatura e sobraram essas duas porque as 4 eu doei pra um sujeito que estava precisando da mesma medicação. A gente tira de onde não tem pra poder salvar uma vida né. E infelizmente não houve tempo de salvar a vida do meu irmão”, lamenta Reginaldo.


A secretária, que há cinco meses assumiu a saúde no estado, admite a falta de remédios para tratar o câncer. Reclama dos preços altos cobrados, do boicote às licitações planejadas para baixar preços e pede ajuda ao Ministério da Saúde.


“Tivemos um medicamento que o preço nacional é vendido a R$ 12 mil e para o Amapá foi ofertado o preço a R$ 24 mil. Acho que a Coordenadoria Nacional Farmacêutica junto ao Ministério da Saúde poderia articular uma licitação, como é feito pra pacientes hipertensos, diabéticos, pra pacientes oncológicos. Ainda que esses valores sejam descontados dos repasses aos estados”, aponta Renilda Nascimento da Costa, secretária de Saúde do Amapá.


O ministério da Saúde explica que centraliza a compra dos remédios considerados estratégicos e que não dá para comprar tudo. Por isso recomenda ações regionais para que os estados paguem menos.


“Como ele se defende disso? Juntando com outros gestores pra que façam uma compra conjunta. Essa é a melhor forma de enfrentar o poder econômico inclusive da imposição de preços maiores”, comenta Alberto Beltrame, secretário nacional de Atenção à Saúde.


Remédio não é o único problema. No Amapá equipamento de radioterapia não existe. Falta também em Roraima. O do Acre ficou quebrado sete meses ano passado. O Nordeste só tem 30% da cobertura de radioterapia recomendada pela Organização Mundial da Saúde. E a rádio é fundamental para tratar cerca de 60% dos casos de câncer, segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia. Em 2012, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 80 aparelhos.


“A hora que você vê no papel e como foi concebido é fabuloso”, diz Eduardo Weltman, presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia.


Mas para sair do papel, o programa de expansão da radioterapia precisaria de coordenação, do empenho de governos e hospitais. Além de físicos, médicos, técnicos, a instalação exige um local especial, protegido contra radiação.


Entre tantas dificuldades, há os custos em dólar, pesando contra os equipamentos novos e contra os antigos também. Até agora só a Paraíba está perto de cumprir o cronograma.


“Tem vários colegas meus que trabalham pro SUS, que trabalham em santas casas, hospitais beneficentes, onde os aparelhos deles estão se sucateando porque não tem como pagar as peças”, diz Eduardo Weltman.


“Isso não é um direito igualitário aos pacientes das diferentes camadas sociais. O paciente do SUS está com certeza sendo prejudicado”, afirma Robson Ferrigno, do Centro Oncológico Antônio Ermínio de Moraes.


“Na quimioterapia, nós aumentamos 34% se comparar com o ano de 2010. A cirurgia cresceu em torno de 30% mais ou menos. A radioterapia cresceu 20%. Nós precisamos crescer mais? Precisamos. E é o que estamos fazendo todo dia. Nossa preocupação diária é tornar isso viável”, comenta Alberto Beltrame.


Em meio às carências do Sistema Único de Saúde encontramos a resistência e a força de pacientes como dona Maria do Rosário da Silva.

“Sou do Laranjal do Jari, então lá não tem médicos assim especializados, só aqui em Macapá, são 6 horas, 7 horas de viagem, de ônibus, e a gente tem que dormir aqui na fila, pra pegar médico pra tal mês, entendeu?”, diz a dona de casa.


Há 12 anos ela teve que ir ainda mais longe, para Belém, por causa de um câncer no céu da boca. Há um ano trata, na Unacon de Macapá, um tumor na bexiga.


“Passei 1 mês na oncologia esperando medicamento, esperando material que não tinha, ia pra sala de cirurgia e voltava e o pessoal morrendo ali perto de mim e eu também achando que eu também ia entrar nessa”, conta.


Uma liminar na Justiça garantiu a transferência para a retirada da bexiga num hospital particular. A quimioterapia foi no SUS.


“A última sessão eu não fiz. Porque não tinha o remédio, é muito caro”, afirma.


A carteirinha de saúde mostra a última quimioterapia em branco, um vazio perigoso que ela preenche com um apelo.


“O governo deveria se preocupar mais com a área da saúde. Eu quero me cuidar, viver mais um pouco. Já estou vendo a minha terceira geração chegando, que são os bisnetos. Eu vou lutar”, afirma Maria do Rosário.




Redação com Jornal Nacional (G1-Globo.com)

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